Onde termina a Bipolaridade e onde eu começo? Eu existo além dela?
Biscuit, miçanga, artesanato, pintura, desenho, blog, astronomia, livro, escrever, tocar violino, piano, dança, idiomas, programação, costura, diy, dieta, planta, culinária... Os últimos afazeres da qual me lembro onde minha mente turbinada encontrou refúgio. Sempre por pouco tempo, sempre me custando muito. Começa com uma epifania, uma vontade e energia que precisam ser gastas com algo. Os preparativos são feitos, a sensação de que posso permanecer nesse mesmo objetivo por horas a fio, como se finalmente tivesse encontrado um objetivo que preenchesse o espaço vago. Tudo sai perfeito, o esforço e dedicação me fazem progredir... até que simplesmente tudo acaba. Se torna impossível encontrar a relevância dos motivos que me levaram à realizar tais afazeres. Pra que? Por quê? Do que adianta? E então subitamente saio de um momento em que tudo faz sentido, para um vazio mais fundo ainda. Quando não muito ocupada para realizar tais afazeres, a felicidade ou a raiva domina tudo. Nunca um termo neutro, sempre feliz o suficiente para gritar, cantar, sorrir e construir um castelo. Sempre irritada o suficiente para berrar e brigar com todos a minha volta. Sem um meio termo de refúgio para onde ir. A dificuldade de manter relações pessoais quando, em um momento, a pessoa é tudo e parece incrível, e no momento seguinte, preciso que ela suma. Sem vontade de festas e a ideia de sair ou interagir com outros assusta. Como se os olhos delas fossem feitos para me julgar, como se sua companhia sugasse toda a energia do meu corpo. É vergonhoso comer, beber água, bocejar, sentar confortavelmente e até falar. Tudo se torna um estorvo, um peso, uma obrigação que sufoca. Retorno para casa e então, lá está: a vontade de me conectar com alguém, de conhecer pessoas. Tão contraditório. Quem sou eu? Desenhista? Violinista? Os dois? Ou nenhum? Pois ambos não passaram de no máximo uma semana de duração. Sou mesmo tão furiosa? Ou eu sou realmente alegre? Eu gosto mesmo daquela série que assisti 5 vezes ou só busco algum tipo de conforto? Não posso dizer com certeza qual o meu livro, música, comida, cor, roupa ou filme preferido. Não posso dizer qualidades, sentimentos... Sou uma boneca oca esperando para ver que emoção ou objetivo me preenchera hoje. Me sinto ninguém, avulsa. Sobre todas as coisas que já fiz, qual delas pertence à minha personalidade, e qual delas é a consequência de algo mais? Quantas relações vou destruir? Quantas pessoas vou perder pelo desesperado medo de (EXATAMENTE) perde-las? Quem será minha próxima pessoa preferida, onde criarei uma forte base de dependência emocional? Qual será minha maldita próxima obsessão? Porque não enxergo um futuro para mim? Pq todas as opções não são boas? Pq me enxergo sozinha para sempre?
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